julho 31, 2018
Mayra Caju Warren

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Amamentar é resistir e persistir // Breastfeeding is resisting and persisting

A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) está chegando, de 1º a 7 de agosto. Eu gosto bastante dessa data para pensar sobre meus próprios processos com a amamentação nesses três anos em que a tenho vivido. Antes de ter filhos, nunca pensei muito sobre essas coisas de quem tem filho, tipo amamentação. Eu quando fui bebê tomei leite de vaca com açúcar na mamadeira, um hábito que carreguei comigo até os meus 11 anos! Mas desde que engravidei pela primeira vez esse é um assunto que consome boa parte da minha vida.

De 2015 a 2018 já são três anos de amamentação quase ininterrupta.

Comecei a prestar atenção, a primeira vez mesmo, foi quando eu ainda estava grávida do Jonas, em 2015, e fui conhecer a Juliana Sell, excelente consultora de amamentação aqui de Floripa. Sentamos no escritório dela, eu e o Michael e ela foi falando sobre amamentação e tirando todas as dúvidas que a gente tinha. Eu na época nem perguntei muita coisa, achei que era um troço muito simples pra ficar fazendo consulta. Imaginava que tinha lá seus percalços, mas eu estava muito segura que ia dar tudo certo, até achei bobagem tantas vezes que as pessoas perguntavam se eu estava preparada.

nasceu o Jonas e o primeiro cuspe pra cima me caiu na cara quando eu fui ficando nervosa que o menino não tava mamando direito, as enfermeiras da maternidade me atentando falando que eu não tinha leite, falando que eu precisava segurar o menino assim ou assado! Chamei, desesperada, a Juliana e ela veio, massageou meus seios e o colostro pingava que era uma beleza. Ela explicou pra mim, pro Michael e para a minha mãe o que estava acontecendo, sobre a pega, sobre como deitar o bebê, um monte de coisas. E beleza, a gente acreditou que ia conseguir e tudo certo.

Mas aí a gente vai pra casa com o bebê. E começam as noites sem dormir, a estranheza de como pode o bebê querer sugar o tempo inteiro? A gente lê que é assim porque ele se alimentava o tempo inteiro pelo cordão umbilical, porque é o momento de conexão com a mãe, a saudade do útero, etc., mas o que a gente quer mesmo é dormir. E começam os palpites… “dá uma mamadeira antes de deitar pra dormir”, “a fórmula enche barriga e o leite materno não”, “vai acostumar mal essa criança no colo e no peito o tempo todo”. Por mais amorosa que seja a pessoa, por mais que queira te apoiar, sempre tem um comentário que te bota pra baixo, que te faz duvidar do que você está fazendo. E você, mãe de primeira viagem, não sabe o que está fazendo, obviamente!

Aí você procura bons conselhos, eu fui ler, fui buscar informação, achar uma pediatra que apoiasse a amamentação. Foi a minha vez de resistir e confiar no meu plano, de fazer do meu jeito, e seguir, apesar do cansaço, das dores, das dificuldades.

E veio minha rede de apoio, minha mãe incansável, minhas amigas que já tinham passado ou estavam passando por isso. O Michael, compreensivo, me dando meu espaço para fazer do meu jeito. Veio a Bel, que foi minha doula pós-parto, a Marina, a Lê, a Dani, tantas pessoas, o grupo dos 1000Dinhos, as amigas que ainda não eram mães e que só queriam estar comigo. E assim eu fui insistindo, persistindo, e aprendendo a amamentar.

Com o tempo, o amamentar virou amar, passei a gostar muito de estar com o meu bebê ali, alimentando-o, vendo mês a mês que ele engordava, crescia, se desenvolvia, mesmo só se alimentando com o meu leite. Outros desafios vieram. O Jonas parecia não gostar de uma das minhas mamas, e o leite desse lado ia ficando ali e acabava endurecendo a mama e eu sentindo dor. Isso foi acontecendo de vez em quando, e eu massageava, fazia ele mamar e passava. Quando ele fez seis meses que começou a comer sólidos, eu voltei ao trabalho e veio a primeira mastite. Muita dor, muita, muita dor. Mas passou. Mamilos machucados, mais dor. Passou. Um ano inteiro de noites sem dormir, e na noite do primeiro aniversário dele, ele deixou de acordar de madrugada para mamar.

E a amamentação invadiu outros aspectos da minha vida. No trabalho, botei pilha para a UFSC ter uma campanha institucional pela SMAM. Ficou lindo! Veio um mega evento sobre amamentação e eu fui apresentar nosso trabalho de comunicação, e ainda consegui entrevistar o pediatra-guru Carlos Gonzalez. Nisso eu já estava grávida do Dylan e ainda amamentando o Jonas.

Dylan

Eis que a tal da segunda gravidez, junto com a amamentação começou a ficar ruim pra mim. Comecei a sentir dor, e veio um negócio que só depois descobri que tinha até nome: perturbação na amamentação. Comum com grávidas que amamentam, eu ficava nervosa quando ele vinha mamar. Uma ansiedade, uma certa raiva até… sei que tava ruim e não dava mais, e por fim resolvi que iria desmamar o Jonas completamente. No total foram 18 meses que ele e eu tivemos esse elo, e quando acabou, não teve muita crise. Ele estava pronto, e eu também. Tive três meses de pausa na amamentação até que o Dylan nasceu e começamos tudo outra vez.

Agora faz pouco mais de um ano que o Dylan mama. Tive várias tentativas de desmame noturno com ele e todas falharam, por vários motivos. Até que ele fez um aninho e eu resolvi de vez que era preciso. Em pouco tempo ele começou a dormir a noite toda e parou de acordar toda hora para mamar. Mas foi um ano inteiro de dificuldades e muito, muito cansaço. Porque ser mãe de dois significa que as noites sem dormir são bem piores.

Eu sei que quando ficar ruim para mim, ou para ele, vamos desmamar e seguir nosso caminho de outra maneira. É o processo. E eu não planejo ter mais filhos, então é bem capaz que quando o Dylan desmamar eu não irei mais amamentar nesta vida. Mas uma coisa é certa, vou sempre ser a mãe que amamentou seus dois filhos. Vou sempre me lembrar desses anos que passei com essa realidade. Porque amamentar é o tempo todo, mesmo quando o bebê não está por perto. A gente tem que ficar sempre se apalpando, desfazendo algum leite empedrado, se alimentando direito, se hidratando, verificando alguma dor esquisita, percebendo se a produção está normal, dando dicas para as amigas grávidas e as puérperas… a lista não acaba.

O que sinto quanto penso na Semana Mundial do Aleitamento Materno, e vejo posts e cartazes por aí repetindo a frase “Amamentar é um ato de Amor” ou simplesmente juntando o trocadilho “Amamentar” e “Amar”… eu vejo isso e penso que não… não é um mero ato de amor. É um ato de persistência, de resistência, insistência, teimosia… muito mais que só amor.

Quem não amamenta também ama seus filhos. Não amamenta, geralmente porque não pode. Logo, não é justo dizer que amamentar é amar. Mas meu foco neste texto não é quem não amamenta. É quem o faz. E é muito justo dizer que quem amamenta seus filhos está resistindo às pressões, está persistindo apesar das dores e dificuldades, está insistindo em fazer algo que não tem o suporte social que deveria.

As mães, as famílias, o fazem porque teimam mesmo, insistem mesmo. A indústria tem um poder muito forte, a voz social diz: “amamentar é um ato de amor, mas olha como a fórmula é maravilhosa, ninguém morreu porque tomou fórmula”.

Amamentar é uma das coisas mais difíceis que já fiz, e continuo fazendo porque insisto, resisto, persisto. E além disso tudo, amo. Amo loucamente.

 

Se você tem um bebê novinho e está tendo dificuldades para amamentar, não hesite. Contate hoje mesmo uma consultora em amamentação. Nem sempre os profissionais de saúde (obstetra, pediatra) conseguem ajudar. Procure alguém especializado, hoje, agora mesmo.

 

Links úteis:

Não consegue amamentar? Saiba onde conseguir ajuda

http://www.amamentareh.com.br/apoio-a-amamentacao/

 

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World Breastfeeding Week (WABA) is coming up, August 1-7. I really like that date to think about my own breastfeeding processes in the three years I’ve been living it. Before I had children, I never thought much about those things that happen once you’re a parent, like breastfeeding. I was a bottle-fed baby, a habit which I carried until about 11 years old. But since I got pregnant for the first time this is a subject that consumes a good part of my life.

From 2015 to 2018 there are already been three years of almost uninterrupted breastfeeding.

I began to pay attention, the very first time, was when I was still pregnant with Jonas in 2015, and I went to meet Juliana Sell, an excellent breastfeeding consultant here in Floripa. We sat in her office, Michael and I, listening to her talk about breastfeeding and try to solve any doubts we had. I did not have a lot of questions at the time, I thought it was a very simple thing, the whole breastfeeding conundrum. I figured I’d have difficulties here and there, but I was pretty sure it was going to be alright, I even found it silly everytime I got asked whether I was ready to breastfeed. I though I was beyond ready! Silly me.

When Jonas was born, my terror. I had no idea if he was getting any milk. Was he not suckling properly? Who knew? The nurses at the maternity hospital kept telling me that I did not have milk, saying that I needed to hold the boy like this or that! Conflicting advice all the time! My mom was clueless and I had to call Juliana to the rescue! She came, massaged my breasts and the colostrum dripped like a beauty. She explained to me, to Michael and to my mother what was happening, about how to handle everything, how to lay the baby down after feeding, a lot of things. And finally, we believed that it was going to be okay.

But then we go home with the baby. And the sleepless nights began, the strangeness of how the baby just wanted to suck all the time!!!! ALL THE TIME!!! Was he hungry? Was he just being cruel to me!?!?!

We read that it is because he was fed all the time by the umbilical cord, because it is the moment of connection with the mother, the longing of the uterus, etc., but what we really want is for him to fill that tummy and go to sleep! And the tiredness brings about the guessing … and more conflicting advice: “give him a bottle before bedtime,” “the formula fills the belly and the mother’s milk does not,” “you will accustom this child badly by holding him and giving him the boob all the time.” As loving as a person may be, however well intentioned, there is always a comment that puts you down, that makes you doubt what you are doing. And I saw myself as a first-time mom, do not know what you’re doing, obviously!

Then, I sought good advice, read, got information, found a pediatrician who supports breastfeeding. It was my turn to resist and trust in my plan, to do it my way, and to continue, despite the fatigue, the pain, the difficulties.

And the support network came, my untiring mother and mother-in-law, my friends who had passed or were going through the same moment. Michael, understanding, giving me my space to do it my way. And so I was insisting, persisting, and learning how to breastfeed.

Over time, breastfeeding turned to love, I became very fond of being with my baby there, feeding him, seeing month by month that he gained weight, grew, developed, just feeding from my milk. Other challenges came. Jonas did not seem to like to nurse out of one of my boobs, and that caused pain, a fever, an infection. My first mastitis. Too much pain, too much, too much pain. But it passed. Damaged nipples, more pain. Passed. An entire year of sleepless nights, and on the night of Jonas’ first birthday, he stopped waking up all night to nurse.

And breastfeeding has invaded other aspects of my life. At work, I was part of an institutional campaign fot World Breastfeeding Week. It was beautiful! There was a mega event on breastfeeding and I went to present our communication work, and I was able to interview the pediatrician-guru Carlos Gonzalez. When that happened, I was already pregnant with Dylan and still nursing Jonas.

Behold, this second pregnancy, along with breastfeeding, started to be a problem for me. I began to feel pain, anxiety … I know it was bad and I had to wean Jonas completely. In total it was 18 months that he and I had this link, and when it was over, it was okay. He was ready, and so was I. I had three months off from breastfeeding when Dylan was born and we started all over again.

Now it’s been a little over a year since I became Dylan’s mom. I had several attempts at nocturnal weaning with him and they all failed, for several reasons. Now, he’s one, and it seems he’s finally ready to wean nighttime feedings. It has been a whole year of difficulties and I am very, very tired. Because being a mother of two means that sleepless nights are much worse.

I know when it is time to stop, whenever it is no longer good for both of us, we will wean and go another way. It’s the process. And I do not plan on having more kids, so when Dylan is weaned, my story of breastfeeding will be over. But forever I will be the mother who breastfed her two children. I will always remember those years that I went through with this reality. Because breastfeeding is all the time, even when the baby is not around. We always have to keep taking care of ourselves, making sure there are no lumps, feeding right, moisturizing, checking the milk production, giving tips to pregnant friends and women who have recently given birth … the list does not end.

What I feel about the World Breastfeeding Week, specially when I see posters repeating that slogan “Breastfeeding is an act of Love”, I feel like saying a resounding NO! You see, breastfeeding is not merely an act of love. It is an act of persistence, resistance, insistence, stubbornness … much more than just love.

Those who do not breastfeed also love their children. Sometimes, they don’t have the choice to breastfeed, and that is fine! It is love, too!

But more people who can, should breastfeed. It is free and it is so good for babies!

A lot of people who don’t breastfeed do it because of myths, because of a lack of information, of proper direction from professionals. That is a total bummer!

Breastfeeding is resisting the pressures, is persisting despite the pain and difficulties, is insisting on doing something that does not have the social support it should. Mothers, families, do it because they really insist, they push on. The industry that produce formula is powerful, it is rich, it has great advertising! But we must be better.

Breastfeeding is one of the hardest things I’ve ever done, and I keep doing it because I insist, I resist, I persevere. And besides, I love it. I love it madly.

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